quinta-feira, 2 de julho de 2015

NOSSA HOMENAGEM À INDEPENDÊNCIA BAHIA



Cordel de  * Elton Linton O. Magalhães: Independência da Bahia.

Retorno aqui novamente
Tendo a sua companhia 
Pra novamente escrever, 
Numa curta alegoria,
Mais uma bonita festa 
Tradicional da Bahia.

Usarei do bom cordel 
Como espécie de embrulho 
Pra cantar um grande fato 
Motivo de nosso orgulho 
Certamente estou falando
Da festa do 2 de Julho.
Diferente dos demais 
Festejos do nosso Estado 
Essa data representa
Pra nós um grande legado 
Desse modo o 2 de Julho 
Na Bahia é feriado.

Muita gente no Brasil 
Acredita plenamente 
Que essa nossa independência 
Se deu por um acidente 
Lá nas margens do Ipiranga 
De modo mais que decente.

Mas não sabem que morreram 
Muitos homens e mulheres, 
Escravizados, caboclos, 
Capitães, também alferes 
Pra nos dar a liberdade
Que tu, de fato, preferes.

Pois o Sete de Setembro, 
Data por demais cantada,
Não deu a nós, brasileiros, 
A liberdade esperada. 
Nossa terra a Portugal ‘inda estava alienada’

Lá em mil e oitocentos
No ano de vinte e três. 
Luís Madeira de Melo,
Comandante português, 
Continuou seus desmandos 
Com furor e rigidez.
Defendendo Portugal 
O Brigadeiro de Melo 
Mantinha a posição 
De um estado paralelo 
Contra o já Imperador 
Do brasão verde e amarelo.

Aos poucos foi expulsando 
Os cidadãos acuados 
Que encontraram no Recôncavo 
Muitos outros aliados 
Sedentos por liberdade: 
Nossos bem-aventurados.

No Recôncavo Baiano, 
A heroica Cachoeira 
Se tornou a capital 
Provisória da guerreira 
Nação, que assim expulsou 
O Brigadeiro Madeira.

Muito nome importante 
Na história ficou marcado: Labatut, João das Botas, Miguel Calmon - nomeado 
Adiante Marquês de Abrantes 
- Deixaram um bom legado.

Também a Joana Angélica 
Por morrer num cativeiro.
E a grã Maria Quitéria 
Se passando por Medeiros 
Se tornou Dama de Honra 
Do exército Brasileiro.

Pela nossa liberdade 
Até hoje festejamos 
Em variadas cidades 
Tudo o que aqui conquistamos 
Pois a nossa independência 
Foi aqui que decretamos.

No centro de Salvador 
Fanfarras fazem cortejos 
Da Lapinha ao Terreiro 
O povo com seus gracejos 
Segue durante a manhã 
Se jogando nos festejos.

Da Praça Municipal 
Ao Campo Grande, na tarde, 
Segue o povo em seu trajeto 
No meio de muito alarde 
Pois o sol aqui castiga 
- De tão forte chega arde.

Escolas municipais 
Desfilam com suas bandas 
Também se pode encontrar 
Empresas com propagandas 
E o moradores do Centro 
Não desgrudam das varandas.

A imagem do Caboclo, 
Com sua lança empunhada, 
Por turistas e baianos 
É a mais requisitada 
Para fotos e homenagens 
Por estar bem laureada.

Por ser um ato civil 
Há quem sempre assimile 
A política baiana 
Ao nosso belo desfile 
Não há homem do poder 
Que nessa data vacile.

Partidos de todo o tipo 
Participam dessa festa 
E o grito vindo do povo 
Durante o trajeto atesta 
Que o político é aceito 
Se não, o povo protesta.

Encerro aqui ressaltando 
Que o 2 de Julho serviu
Pra mostrar a quem quiser 
Que a Bahia interferiu 
Em tudo nessa nação 
A qual chamamos Brasil.
* Elton Linton O. Magalhães é mestre em Literatura e Cultura e professor da UCSal
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