domingo, 28 de fevereiro de 2016

TUDO COMEÇOU EM 20m²

Empresa de bolos começou com encomendas e virou franquia

 Cleusa Maria, da Sodiê Doces (Foto: Talita Mônaco/PEGN)

Na hora do aniversário, uma coisa nunca pode faltar: o bolo. De chocolate, morango, creme ou outros sabores, o doce invade também as refeições diárias, como um bom café da tarde. Muitos veem neste segmento uma oportunidade para empreender. No entanto, esse não é o caso de Cleusa Maria. Dona da rede de franquias Sodiê Doces, a paranaense da cidade de Bandeirantes nunca imaginou que trabalharia com bolos.

“Venho de uma família muito pobre e tenho nove irmãos. Quando meu pai morreu, a vida ficou ainda mais complicada. Minha mãe decidiu que iria começar a trabalhar como boia-fria. Como eu era a terceira filha, me vi na obrigação de ajudá-la a sustentar meus irmãos”, conta Cleusa durante palestra na Feira do Empreendedor SP 2016. Convidada pelo tio, a empreendedora decidiu se mudar para São Paulo.

“Não fazia ideia do que era a cidade. Fui trabalhar como empregada doméstica, mas eu não entendia porquê tinha que ficar parada ao lado de uma mesa enquanto os meus patrões bebiam suco para que eu pudesse encher o copo quando precisasse”, conta Cleusa. Depois de um ano no emprego, decidiu que não trabalharia mais nessa área e foi atrás de novas oportunidades.

Aos 18 anos, a tia de Cleusa conseguiu que ela trabalhasse em uma empresa em Salto, no interior, na qual ficou por cinco anos. Quando algumas funções foram terceirizadas, a empreendedora acabou indo para outra companhia, cujo dono faleceu em pouco tempo. Seu posto seria ocupado pela esposa, mas, para isso, ela precisava que alguém assumisse o comando de sua empresa de bolo e chamou Cleusa para isso.

“Além de não ter uma batedeira, eu nem sabia como fazer bolo. Só aceitei o convite depois que ela quebrou a perna”, diz Cleusa. Depois que aprendeu a fazer os bolos, a empreendedora foi incentivada a vender seus próprios produtos. “Eu trabalhava durante o dia e ainda tinha que cuidar dos meus filhos. Como eu recebia poucas encomendas, não ganhava muito com os bolos e o trabalho era muito cansativo”, completa.

Cleusa decidiu, então, que se dedicaria apenas aos doces, mas nem todos a apoiaram. “Falavam que eu era louca, que não ia a lugar nenhum. Mas eu sabia que era assim que meus filhos teriam uma vida melhor e minha mãe conseguiria parar de trabalhar como boia-fria”. A primeira loja foi montada em 1997 com um investimento inicial de R$ 6 mil em um espaço de apenas 20m². “Montava o bolo em cima do freezer, porque não tinha dinheiro para uma mesa.”

Só depois de um ano que a empreendedora conseguiu contratar sua primeira funcionária e também chamou a sua mãe para ajudá-la. “Foi aí que percebi que meu sonho de ajudar minha mãe tinha se realizado. Meus filhos estavam bem e ela não trabalhava mais como boia-fria”, conta.

Depois de montar algumas outras lojas em cidades pequenas, um de seus clientes, que saía de São Paulo apenas para comprar os bolos, pediu para abrir uma franquia em São Paulo. “Eu nunca tinha nem ouvido falar sobre franquias. Ele me explicou o que era isso e eu decidi ir para São Paulo fazer alguns cursos. Voltei para Salto querendo fazer do meu negócio uma rede de franquias”, diz Cleusa.

No entanto, nada poderia prepará-la para o sucesso de suas franquias. De uma meta de 50 franquias, Cleusa a estendeu esse número para 100 e depois desistiu de colocar um limite nas unidades da empresa antes chamada de Sensações Doces. Quando a rede de franquias já estava ganhando reconhecimento, a empreendedora enfrentou mais um
desafio.

Ao tentar registrar o nome da rede, nunca conseguia aprovação e descobriu que uma famosa marca já detinha os direitos em cima da expressão “sensações”. O logo com as letras SD, por outro lado, já tinha sido aprovado. “Uma amiga e franqueada veio com uma nova ideia, Sodiê, que é a junção do nome dos meus filhos, Sofia e Diego”, conta Cleusa.

Hoje com 243 unidades em sua rede de franquias, a empreendedora acredita que o sucesso se deve à sua própria força de vontade.  “Para quem quer empreender, o desafio é grande. Sempre tem gente falando que é melhor desistir. Não desistam quando surgirem dificuldades, porque elas sempre vão aparecer”, finaliza.

Fonte: PEGN 

 

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