sexta-feira, 1 de julho de 2016

RENEGOCIANDO DÍVIDAS: 6 PASSOS PARA SAIR DO APERTO FINANCEIRO


Foto de divulgação








































 Origens do endividamento


É sempre difícil quando nos encontramos em situações de “aperto” financeiro, com contas que não param de chegar e sem sabermos ao certo de onde tiraremos os recursos para pagá-las. Essa dificuldade normalmente gera um nível alto de estresse, o que muitas vezes desencadeia outros problemas, como queda na produtividade pessoal no trabalho, aumento das discussões e tensões familiares e problemas variados de saúde. Já pensou ficar endividado, sem emprego e enfrentando uma separação? Então, o que já estava ruim pode ficar ainda pior.
 
Essa situação se mostra não apenas como importante, mas como urgente, uma vez que a velocidade com que esses problemas crescem e se acumulam é exorbitante, fazendo-nos sair de uma situação difícil para uma que parece impossível em pouco tempo.

Este necessário senso de urgência, no entanto, deve servir como estímulo à ação, mas não deve se confundir com um certo “atropelo” nas medidas. Minha experiência com clientes demonstra que ação sem reflexão e planejamento não costuma dar bons resultados.

Outra solução enganosa que costuma ser veiculada em boatos é a de que as dívidas “caducam” em 5 anos. As dívidas não “somem”. Esse é um erro comum. Segundo nossa legislação, o que deve acontecer depois de cinco anos é a retirada do nome do devedor dos cadastros de crédito, ou seja, ele não aparecerá mais com o “nome sujo”. No entanto, há outras medidas que os credores tomam e que não têm nenhuma relação com esse prazo, como as cobranças judiciais. Assim, mesmo passado esse tempo, sua dívida continuará a existir, com os problemas daí advindos.

Bom, mas e agora? Tenho dívidas. Como faço para renegociá-las? Essa recorrente pergunta requer uma explicação menos óbvia do que apenas procurar os credores e suplicar por descontos, parcelamentos ou mesmo um improvável perdão.

Origens do endividamento

Antes de mais nada, precisamos entender o que nos fez chegar até esta situação. Se isto não for entendido e o real motivo combatido, mesmo que nos esforcemos para sair do cenário atual, logo estaremos novamente “atolados” em dificuldades. Este é o passo número 1 – Entender a origem das dívidas.

Faça uma reflexão e estude, sem ideias preconcebidas, o que o trouxe até aqui. Pode ter sido um evento único, como uma doença na família ou um acidente ou mesmo algum golpe aplicado por pessoas desonestas, que corroeu todas as reservas financeiras e seguiu solicitando novos aportes advindos de crédito. Na maioria dos casos, no entanto, essa não costuma ser a razão. A razão mais comum para o endividamento é a elevação do padrão de vida para além do ponto que a renda familiar suporta.

Se suas dívidas se originaram de um evento único, talvez valha a pena uma boa análise sobre suas necessidades de seguros e de criação de uma reserva de emergência assim que a situação for solucionada.

Orçamento descontrolado

Já se o seu caso, como a maioria, é oriunda do descontrole orçamentário, com o estilo de vida subindo mais do que a renda, o trabalho será maior e, muitas vezes, mais dolorido. No entanto, ele será fundamental para sua qualidade de vida futura. E aí vem o passo numero 2 – Assumir sua parcela de responsabilidade na situação.

De nada adiantará tentarmos nos iludir achando que a culpa é do banco ou da financeira que cobra juros muito altos, que não nos explicou com todos os detalhes necessários as parcelas ou qualquer outro motivo que queiramos dar para amenizar o que sabemos: a responsabilidade pela leitura e assinatura nos contratos é do tomador do empréstimo.  Quanto antes assumirmos a parcela da culpa, mais cedo estaremos prontos para começar a trabalhar a solução prática.

Com isto em mente, o ideal é que se envolva toda a família e que todos passem a ter ciência da situação e das medidas que serão tomadas, de forma a “remarem na mesma direção”. Assim o fardo ficará mais leve para todos e, quando a situação mudar, a comemoração será ainda mais especial.

Mapa das dívidas

O passo número 3 – Mapear consiste em fazer um levantamento completo de suas dívidas, colocando todas as condições delas (saldo atual, taxas de juros, eventuais multas, garantias dadas, etc.) em um caderno ou planilha. Isso dará uma visão abrangente da situação, que pode ser mais ou menos grave do que imaginávamos no início.

Classificação

Após o mapeamento, vem o passo número 4 – Classificar as dívidas. Utilize os seguintes critérios:
a) As que apresentam taxas de juros mais altas (% sobre o valor devido), já que isso faz a dívida ficar mais cara;
b) Possibilidade de eventual alta nessa taxa de juros (se não for do tipo prefixada). Esse é um fator de risco, já que, se não for prefixada, a taxa pode subir – uma dívida em moeda estrangeira, por exemplo;
c) Valor em reais da parcela mensal (mensalidade) e seu peso no orçamento familiar (percentual);
d) Porcentagem da multa + juros de mora + correção monetária por atraso no pagamento. Caso não seja possível pagar as parcelas de todas as dívidas concomitantemente, esse é um fator a ser levado em conta, já que encarece umas mais do que as outras;
e) Garantia real dada pela dívida (bem ou direito que está em risco pelo não pagamento), como um veículo, bem penhorado ou mesmo um imóvel. O risco de perdê-lo em caso de não pagamento deve ser levado em conta na hora da priorização.
Esta classificação irá ajudar a direcionar os esforços para as dívidas mais críticas / importantes.

Ajuste das contas

Agora que já se sabe o tamanho do problema e por onde começar, é necessária uma parte fundamental: Passo número 5 – Adequar o orçamento. De que adianta sabermos tudo isso se não sabemos quanto podemos pagar por mês?

Precisamos fazer um orçamento organizado, normalmente em uma planilha eletrônica, na qual colocaremos todas as receitas e todas as despesas mensais (menos as parcelas das dívidas), de forma a conhecermos a capacidade de pagamento que teremos. Então podemos cortar o que for possível.
Mas não se esqueça de que algumas contas são necessárias (subsistência) e que ninguém resiste por muito tempo a uma vida sem nenhum lazer. Lembre-se também de que muitas vezes é possível aumentar as receitas, seja por meio de horas extras, seja por meio da criatividade. Um hobby pode ser uma nova (e prazerosa) profissão. Feito isso, verifique qual a capacidade mensal de pagamento das dívidas.

Em busca de recursos

Muitas vezes, quando nos encontramos em situações de estresse e movidos pela urgência, a situação não nos deixa enxergar direito e, por este motivo, o próxima passo tem importante função: Passo número 6 – Analisar seu patrimônio. Verifique se não há aplicações financeiras que possam ser utilizadas para pagar (total ou parcialmente) as dívidas. Além disso, veja se não há patrimônio imobilizado que possa ser vendido para esse fim, como uma casa de campo ou um automóvel com pouco uso ou com valor maior do que o necessário para o momento.

Agora sim! Feitos os 6 passos de reflexão e análise, podemos finalmente partir para uma renegociação das dívidas.
Converse com cada um dos credores, seguindo a priorização feita no passo número 4 . Verifique a possibilidade de trocas de dívidas com juros mais elevados e menores prazos (exemplos: cheque especial e cartão de crédito) por outras de juros mais baixos e prazos mais longos (exemplos: crédito consignado, refinanciamento de veículos ou mesmo de imóveis), até que o valor mensal requerido para os pagamentos das dívidas possa ser coberto pelo valor disponível no orçamento. Tenha certeza de que, quando os credores verificam que foi feito um estudo sobre a capacidade de pagamento, a boa-fé demonstrada é forte argumento de negociação.

Em casos mais graves, nos quais nem com o maior aperto possível no orçamento há chance de pagamento, existem negociações assistidas pelos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon ou de proteção ao crédito, como a Serasa, por exemplo. Informe-se no seu estado sobre os chamados “Feirões” de limpeza de nome. Nestes eventos, as condições costumam ser mais facilitadas.

Seguindo esses passos, sem dúvida, com mais ou menos tempo, suas dívidas deixarão de existir. Além disso, feito o planejamento nesse formato, você saberá quando cada dívida será quitada, o que lhe dá, desde agora, mais tranquilidade e um horizonte de tempo objetivo para mudar sua situação.

Esse caminho não é bonito nem confortável de se trilhar, mas quanto mais tempo se demora para dar um basta à situação e tomar atitudes para alterá-la, pior ela se torna e mais espinhoso o caminho se mostra.

As dívidas crescem com uma velocidade alucinante. Aja rápido! Comece já!

 Fonte: (IBCPF). 
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