quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Leandro Karnal: “A felicidade é um projeto de classe média”


Foto de divulgação
A edição de 5 de outubro de 2016 de ISTOÉ traz a matéria “Eles fazem a cabeça dos jovens“, que trata do trabalho dos autores, professores universitários e pensadores contemporâneos Leandro Karnal, Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho...

Confira a conversa da repórter com Leandro Karnal, conhecido como o “pensador pop”, que se reveza entre aulas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), entrevistas a programas de televisão e conversas com seus mais de 500 mil seguidores na internet.
Leandro Karnal é historiador, filósofo e professor da Unicamp (Crédito: Felipe Gabriel)

Leandro Karnal: “A felicidade é um projeto de classe média”


Quais são hoje as grandes questões da humanidade, inerentes à nossa época?
O ser humano está associado ao consumo, a vida adquiriu uma dimensão virtual, imagem é tudo, o outro é perigoso, família é meu centro, esforço resolve qualquer questão, o melhor virá logo em seguida se eu me sacrificar, informação virou conhecimento, tecnologia resolve, juventude será eterna, a vida pode ser controlada. Isto é quase toda a nossa filosofia atual.

Qual a importância da religião na vida das pessoas? Como o senhor vê o uso político da religião?
A religião sempre foi usada politicamente. Foi por interesse político que Getúlio Vargas apoiou a inauguração do Cristo Redentor, por exemplo. Este uso sempre foi paralelo à convicção pessoal de cada um dos seguidores de uma religião. Atualmente, a religião continua sendo um poderoso esteio de anseios e esperanças, de defesas contra o mal e catalisadora de todos os sentimentos humanos. E continua sendo usada politicamente, também.

O desejo pela felicidade é uma constante dos nossos tempos? Por que é importante falar sobre a busca pela felicidade hoje?
Não. Ele é um projeto essencialmente burguês do século XIX. A felicidade neste mundo não era o foco da maioria das civilizações anteriores. Como nós a entendemos, hoje, felicidade é um grande projeto de classe média (que atinge gente de todas as classes) que deve apresentar uma vida integral, plena, com saúde, estrutura familiar, bem sucedida e cheia de controles. Felicidade é um projeto de classe média e isto marca todo o aconselhamento sobre felicidade disponível nas redes. Aristocratas e proletários pensam e agem por outro caminho.

O senhor acredita que hoje as pessoas estão tentando buscar o sentido da vida de uma forma diferente? Há uma retomada às tentativas de se compreender melhor?
Existem pessoas que se perguntam pela árdua questão do sentido da vida. Mas, a maioria busca a satisfação de necessidades rápidas como o consumo. O mais desafiador seria pensar, “sartreanamente”, que a vida em si não apresenta um sentido prévio, mas que devemos descobrir algo a partir da nossa realidade, pois a existência precede a essência.

No vídeo abaixo, o historiador Leandro Karnal destaca como as relações humanas mudam ao longo do tempo


Fonte: Revista ISTOÉ
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