quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O computador que reconhece a voz tão bem como um humano já existe




"Antes mesmo de entrar na faculdade de jornalismo, já sabia quais seriam alguns dos grandes dilemas da profissão: trabalhar sob pressão, não ter todos os domingos e feriados, não ter muito dinheiro, estar aberta a críticas e apurar informações incessantemente...
Mas logo nas primeiras experiências com um gravador na mão descobri outro entrave necessário: a gravação. Que pesadelo transcrever (em jornalistiquês, decupar, bater fita). Todo jornalista sabe o inferno que é ouvir segundo a segundo de uma gravação e passar as palavras para tela ou papel. Em um cenário produtivo e otimista, 20 minutos de entrevista se prolongam por uma hora de trabalho." ( Pâmela Carbonari )

Mas a Microsoft acaba de livrar os jornalistas dessa. O time de inteligência artificial da empresa desenvolveu um sistema capaz de reconhecer a voz e transformá-la em texto. A conquista é um marco importante para a empresa, porque em 20 anos de pesquisa é a primeira vez que uma tecnologia com essa função atinge uma margem de erro que se equipara a dos humanos desempenhando a mesma tarefa. O software discerne palavras tão bem quanto duas pessoas entendem uma à outra num diálogo.

Os engenheiros  criaram o sistema usando treinamento acústico junto com redes neurais para reconhecer padrões e armazenar grandes quantidades de dados. Em um experimento, pediram para que pessoas habituadas a transcrever áudios (não há indícios de que tenham sido jornalistas, mas a redação da Super poderia ter sido cobaia) escutassem um diálogo e decupassem a conversa. Em seguida, o mesmo teste foi feito com a tecnologia da Microsoft.

 O resultado homem vs. máquina foi surpreendente: ambos acertaram 94,1% da transcrição. Os criadores afirmam que é provável que pessoas que não estejam acostumadas a transcrever áudios errem mais do que o sistema desenvolvido por eles. A ideia agora é adaptar a tecnologia a programas de acessibilidade, chats e videogames. Outro desafio será melhorar a performance em locais barulhentos.

"Até semana passada, costumava brincar que não era possível que o homem tivesse chegado à Lua, arquitetado um acelerador de partículas, conquistado todos os mares e continentes, desenvolvido um aparelho que faz ligação, paga seu aluguel e manda nudes, mas ainda não tivesse criado algo para transcrever uma entrevista. Só não imaginava que essa piada estava com os minutos contados – meu tempo livre, que agora cresceu, agradece." ( Pâmela Carbonari)

Fonte: Superinteressante
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