quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Mulher, Corretora de Imóveis


Cada vez mais as mulheres rompem barreiras e conquistam espaço em todas as áreas, em especial no mercado de trabalho. Com o segmento de corretagem imobiliária não poderia ser diferente, estimando-se que a participação feminina numa profissão que até bem pouco tempo era dominada pelos homens seja hoje superior a 40%...

Mas a presença cada vez maior das mulheres não se restringe ao exercício da profissão: elas também, embora com intensidade ainda muito pequena, vem atuando de maneira crescente em entidades voltadas à defesa da categoria. A Fenaci e os sindicatos a ela filiados são a prova disso.

“Não tenho dados estatísticos, mas acredito que a participação da mulher no mercado imobiliário esteja beirando os 50%. É um crescimento muito grande, por isso acho que hoje, na área de corretagem imobiliária, homens e mulheres dividem meio a meio o mercado.”

Quem faz tal afirmação tem plena autoridade para tanto. Estamos falando de Marly da Silveira Ferreira, corretora de imóveis desde 1976, e primeira mulher a assumir a presidência do pioneiríssimo Sindicato dos Corretores de Imóveis do Município do Rio de Janeiro. Fundado há 78 anos, o sindicato carioca surgiu antes da regulamentação da profissão de corretor de imóveis e teve presença fundamental na criação de outras entidades, como os Creci’s, o Cofeci e a Fenaci.

DIFICULDADES NO COMEÇO – Para Marly, hoje praticamente não há mais preconceito contra a mulher corretora de imóveis, mas quando ela iniciou existia e muito. “Atualmente, as mulheres são muito solicitadas e valorizadas pelo mercado. Na época em que eu comecei na corretagem, em 1976, sim, tinha muita discriminação. O número de mulheres era muito pequeno e foi uma luta muito grande. O próprio estande de venda é um exemplo. Não havia nele banheiro feminino. Mas, graças a Deus, de lá para cá as coisas têm mudado muito e acho que não existem mais tantos problemas nesse sentido.”

Marly participa da gestão do sindicato municipal do Rio de Janeiro desde 1985. “Ocupei cargos na diretoria, no conselho fiscal, mas só fui para a presidência em 2013, sendo a primeira mulher a assumir essa função em 78 anos de história do sindicato. Estou em meu primeiro mandato”, conta Marly, aproveitando a ocasião para “mandar um grande abraço a todas as companheiras corretoras de imóveis, as funcionárias das nossas entidades, enfim todas as mulheres, pelo nosso dia que será celebrado neste domingo, 8 de março”.

ASCENÇÃO MERECIDA – A baiana Eliene de Freitas Sousa é outra mulher com atuação marcante nos meios sindicais da categoria. Em seu segundo mandato como presidente do Sindimóveis-BA e exercendo pela primeira vez a 2ª vice-presidência da Fenaci, Eliene vê a posição ocupada atualmente pela mulher no setor de imóveis como resultado como fruto de empenho e dedicação:

“A corretora de Imóveis ascendeu merecidamente no mercado imobiliário. Hoje visualizamos o respeito na área e nos cargos das empresas, além de muitas serem empresárias. A qualificação levou muitas a crescerem e se destacarem. Hoje já são seis dirigentes dos sindicatos da categoria. No futuro esperamos vê-las diretoras e presidentes dos Conselhos e fazendo parte de órgãos conhecidos como machistas”, elogia Eliene, fazendo coro com outra personalidade feminina da Bahia que atua conjuntamente com os profissionais do setor imobiliário, a tabeliã Ivanise Varela:

Apesar da escolaridade e da crescente participação na sociedade, segundo ela, as mulheres ainda são vítimas de preconceito no trabalho, “mesmo que muitas vezes velado”. Por isso, conclama Lucimar, “as mulheres precisam lutar para conseguir espaço dentro das entidades, a fim de passar uma visão diferenciada sobre o sexo feminino”.

1ª PRESIDENTE DO SINDIMÓVEIS-ES – Primeira mulher a presidir o Sindimóveis do Espírito Santo, nos seus mais de 40 anos de existência, Maria Elizabeth de Oliveira tomou posse pensando principalmente em unir a categoria, que no Estado tem pouco mais que 8 mil profissionais, sendo cerca de 1,5 mil na capital, Vitória.

“Quero uma diretoria participativa e comprometida com a categoria. Constituir uma classe unida, onde o objetivo comum seja o fortalecimento da categoria. Precisamos desenvolver atividades visando à proteção, ao bem-estar e à qualificação dos profissionais corretores de imóveis”, disse ela antes de ser empossada, em 5 de junho do ano passado.

Em mais uma comemoração do oito de março, Beth, como é mais conhecida, sugere: “Corretora, no Dia da Mulher, venda sonhos e alugue realizações. Sensibilidade, empatia, força, determinação são qualidades que a mulher trás em si para mudar o ambiente e como corretora de imóveis não poderia ser diferente. Mulher corretora de imóveis, você faz a diferença.”

APRIMORAMENTO É CHAVE DO SUCESSOJane Picanço de Farias Lima é vice-presidente do Sindimóveis do Amazonas e também integra a diretoria da Fenaci, ocupando o cargo de vice-presidente da Região Norte. Ela conta que se iniciou no no ramo imobiliário trabalhando na área administrativa e financeira.

“Em 1992 recebi um convite para ser corretora de imóveis. Tirei meu Creci e em seguida fui membro da diretoria do Creci-AM. Dividida entre trabalho, família e estudo, fui buscando meu espaço e, em 2009, assumi a presidência do Sindimóveis-AM, além de uma secretaria na União Geral dos Trabalhadores (UGT-AM),  na área de política habitacional. Como Corretora e advogada, vejo que o mercado imobiliário tem um espaço reservado para as mulheres por exprimirem responsabilidade, comprometimento e disponibilidade para novos desafios”, avalia Jane.

ara Jane, a profissão de corretora de imóveis requer muito empenho e constante aprimoramento: “Como toda profissão, ser corretora de imóveis, do Oiapoque ao Chuí, não é uma tarefa fácil em razão da oscilação do mercado, que exige cada vez mais um profissional qualificado, com conhecimento do produto que trabalha, bem como de tudo que envolve o mercado imobiliário e financeiro. O sucesso profissional depende dos objetivos traçados para si, agregado ao conhecimento. Ler, estudar, qualificar-se: essa é a chave do sucesso”, aconselha.

O portal da Fenaci encerra esse post especial em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, com uma mensagem da presidente do Sindimóveis do Ceará, Cristina Chaul:

A PARTICIPAÇÃO DA MULHER NO MERCADO PROFISSIONAL

Ao longo dos meus 33 anos de vida como esposa e mãe, nunca deixei de exercer o meu lado profissional. Aprendi a conciliá-lo com minha família, estando presente na educação das minhas filhas e ao lado de meu marido.

Trabalhei em várias atividades. Há mais de 15 anos, atuo como advogada e corretora de imóveis. Optei por estas duas atividades pela coerência em trabalhar com ética e por amar a liberdade profissional que me possibilitavam. Consegui observar que as duas atividades se completavam: enquanto o Direito quando defende os direitos imobiliários de meus clientes, ser corretora me permitia exercer atividades na administração e vendas de imóveis.

Atualmente, a maior preocupação profissional é saber otimizar o tempo do trabalho. Conseguir exercer atividades compatíveis e conquistar novas oportunidades, oferecendo o que há de melhor à clientela que se fideliza.
 
Para nós mulheres profissionais da área de negociações imobiliárias, o exercício desta profissão nos possibilita conciliar a vida profissional com a vida familiar por podermos organizar nossos horários. Podemos fazer de determinado espaço em nossa casa o nosso escritório e utilizar o telefone residencial ou celular e nosso computador ou notebook para iniciar o nosso negócio. Negócio muito lucrativo e extremamente empolgante, que nos permite ganhar novos horizontes em nossas vidas.

Sabemos que, mesmo nos dias de hoje, nós mulheres, enfrentamos grandes dificuldades em diversas profissões, por discriminação e preconceito. Sentimo-nos, em muitas situações, obrigadas a desenvolver nossos trabalhos de uma maneira que superem as atividades masculinas, na busca de um melhor reconhecimento no mercado.

Deparamo-nos diariamente com diversos obstáculos que dificultam nossa presença nos cargos efetivos e nos cargos políticos conceituados. Nós mulheres somos atualmente 49% (quarenta e nove por cento) do mercado ativo. O crescimento da participação feminina no mercado de trabalho brasileiro foi uma das mais marcantes transformações ocorridas no país nos últimos quarenta anos.

As profundas transformações nos padrões de comportamento e nos valores relativos ao papel social da mulher foram intensificadas pelo impacto dos movimentos feministas e pela presença feminina cada vez mais atuante nos espaços públicos.

A formação do movimento feminino pela anistia fez crescer a influência do movimento na sociedade. Comemorações do dia 8 de março surgiram em várias capitais, juntamente a vários grupos feministas. Desenvolveu-se, nesse mesmo momento, a participação das mulheres nos diferentes movimentos sociais. E assim, a partir do ano de 1979, começaram a serem organizados encontros, palestras, seminários e congressos femininos, com objetivos de discutir o papel da mulher na sociedade e seus direitos.

Nos anos 1980, surge no País uma consciência mais ampla sobre a discriminação das mulheres. Organizações de mulheres vinculadas ao movimento popular aumentam, buscando ampliar os horizontes da participação da mulher socialmente. 

Nos grandes centros, onde a atuação do movimento feminista era maior, as organizações de mulheres desenvolveram-se com mais facilidade. Abriram-se discussões sobre sexualidade, violência contra a mulher e seu papel familiar.

Observamos muitas mudanças nesse período. Novas leis entraram em vigência para nossa proteção, como, a Lei Maria da Penha, conscientizando as mulheres e a sociedade em dar um basta à violência praticada contra mulher.

Luto pela igualdade das mulheres nas mais diversas áreas, especialmente nas profissões que exerço, como corretora de imóveis, advogada e nas entidades de classes.

Nós, mulheres, devemos ser leves, bonitas e bem produzidas. Mas temos que aprender também a sermos firmes em nossas decisões e determinadas nas negociações.

Porque somente nós somos responsáveis pelo nosso crescimento  pessoal, profissional, familiar e cristão.
Fonte: FENACI
 







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